Estudo avalia o uso das plantas tintoriais na confecção de artesanatos
A pesquisa foi realizada no município de Benjamim Constant, em uma comunidade indígena, e recebe fomento da Fapeam
Ações como tingir o cabelo, colorir os artesanatos, pintar o corpo são manifestações culturais antigas, que surgiram antes mesmo de qualquer forma de comunicação escrita. E é das florestas tropicais que são extraídas uma série de vegetais para uso de tingimento.
A floresta amazônica apresenta uma grande diversidade de plantas que são utilizadas como tintoriais. Esses corantes naturais podem ser encontrados em todas as partes do vegetal e extraídos das raízes, madeiras, folhas, sementes, cascas etc.
Fazendo uso dessa diversidade, um trabalho realizado através do Programa de Iniciação Cientifica (PAIC) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), avaliou o uso das plantas tintoriais na confecção de artesanatos.
O trabalho é da aluna Carina Maciel Ocampo, do curso de Biologia, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), no município de Tabatinga. O projeto teve como objetivo conhecer, mediante identificação botânica, as espécies de plantas tintoriais usadas para colorir as fibras têxteis na confecção de artesanatos pela comunidade Tikuna, de Bom Caminho, no município de Benjamim Constant, e acompanhar a preparação das fórmulas de tingimento.
O estudo foi realizado através de um levantamento bibliográfico das espécies vegetais e do uso de pigmentos naturais indígenas da Amazônia, a fim de subsidiar os trabalhos de campo, nos quais foram aplicados questionários e entrevistas semi-estruturadas utilizando técnicas de história oral.
Os resultados demonstraram que a realização da técnica de tingimento é um processo delicado, variando de acordo com o corante usado e as cores desejadas. Ocampo explica que essa delicadeza gera basicamente o que chamamos de arte. ‘’Por requerer uma enorme habilidade e precisão, esse processo intrincado é considerado uma forma de arte. Antes de começar o processo de tingimento, as fibras devem estar devidamente preparadas, em seguida o processo é realizado de acordo com a parte utilizada da planta, uma vez que cada uma delas requer um procedimento diferente para obtenção dos pigmentos naturais’’, explica a pesquisadora.
Janaina Karla – Agência Fapeam